{"id":252249,"date":"2022-07-12T17:57:14","date_gmt":"2022-07-12T15:57:14","guid":{"rendered":"https:\/\/pisofranco.gal\/artigos\/2022\/07\/12\/249431-252249\/"},"modified":"2022-07-15T11:33:19","modified_gmt":"2022-07-15T09:33:19","slug":"249431","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pisofranco.gal\/pt-pt\/artigos\/2022\/07\/12\/249431-252249\/","title":{"rendered":"\u201cO teatro \u00e9 vida concentrada\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Qualquer espa\u00e7o vazio pode ser um teatro se um homem o atravessar enquanto outro homem o observa. Este \u00e9 o ponto de partida do teatro para Peter Brook, um realizador t\u00e3o pouco dado ao espect\u00e1culo como a acreditar que os realizadores devem ser todo-poderosos quando se trata de cria\u00e7\u00e3o teatral. Brook, que procurou na pesquisa teatral um m\u00e9todo para tentar explicar o mist\u00e9rio das coisas ao p\u00fablico, acredita que n\u00e3o h\u00e1 m\u00e9ritos individuais no teatro e que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel encontrar respostas se n\u00e3o houver um debate colectivo. Defensor de companhias est\u00e1veis que passam o seu tempo a ensaiar, da cria\u00e7\u00e3o colectiva e da necessidade de surpreender o p\u00fablico, Peter Brook salienta que a verdadeira ac\u00e7\u00e3o do teatro \u00e9 o interesse de todas as partes em desvendar o mist\u00e9rio. Esse mist\u00e9rio de que o realizador de Mahabharata tanto fala nos seus livros \u00e9 um mist\u00e9rio teatral mas, finalmente, revela que o teatro n\u00e3o \u00e9 mais do que vida concentrada. Acredita no teatro como uma janela para olhar para a vida e muitas das suas an\u00e1lises da tarefa c\u00e9nica est\u00e3o intimamente ligadas \u00e0 vitalidade da exist\u00eancia e \u00e0 necessidade do teatro ser, antes de mais nada, vida.<\/p><p><strong>-A crescente especializa\u00e7\u00e3o da sociedade for\u00e7ou as artes a seguir um processo semelhante, deixando o espect\u00e1culo para o cinema ou a letra para a pintura abstracta. Qual \u00e9 o papel do teatro num sistema t\u00e3o compartimentado?<\/strong><br>-Todos t\u00eam uma necessidade absoluta de encontrar um sentido na vida. O mundo est\u00e1 num caos porque lhe falta significado. O teatro \u00e9 como um microsc\u00f3pio com lentes diferentes para olhar atrav\u00e9s dele. Oferece a possibilidade de ver dentro de uma dada situa\u00e7\u00e3o e de encontrar o significado oculto. \u00c9 como quando se usa um microsc\u00f3pio para olhar para um caldo de cultura e se pode ver as diferen\u00e7as entre os micr\u00f3bios. O teatro s\u00f3 \u00e9 \u00fatil para a sociedade se for concentrado e pequeno. O teatro \u00e9 a vida concentrada. Do ponto de vista pol\u00edtico, o erro que foi cometido no meu tempo foi pensar que um pequeno grupo de teatro poderia mudar a sociedade como um todo, mas \u00e9 evidente que um teatro que pode, no m\u00e1ximo, dirigir-se a cinco ou oitocentas pessoas n\u00e3o ter\u00e1 qualquer impacto no caos que \u00e9 o mundo. Num outro sentido, o teatro tamb\u00e9m poderia ser comparado a ir ao m\u00e9dico: algumas pessoas t\u00eam a necessidade de ir ao consult\u00f3rio do m\u00e9dico. H\u00e1 tamb\u00e9m pessoas que t\u00eam a necessidade de olhar mais de perto, nem que seja s\u00f3 por uma hora, para os diferentes aspectos do desempenho que a vida ou qualquer uma das suas situa\u00e7\u00f5es &#8211; pol\u00edtica, espiritual, psicol\u00f3gica &#8211; pode oferecer e encontrar sentido. Para algumas pessoas, esta possibilidade de olhar atrav\u00e9s do teatro \u00e9 t\u00e3o importante como ser examinado por um m\u00e9dico.<\/p><p><strong>-Mas no teatro de hoje, a realidade \u00e9 interpretada ou representada?<\/strong><br>-Deveria ser ambos porque tem de haver muitos n\u00edveis de compreens\u00e3o. Se a representa\u00e7\u00e3o \u00e9 meramente abstracta, n\u00e3o \u00e9 humana; se tudo est\u00e1 focado na superf\u00edcie, no vis\u00edvel, ent\u00e3o n\u00e3o aprendemos nada. Tem de haver um contacto entre as duas formas provocado pelo interesse de contar uma hist\u00f3ria. Desta forma, a representa\u00e7\u00e3o abre-se \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o. Para mim, interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 comentar as coisas mas dar vida ou trazer \u00e0 luz algo que estava escondido sob a superf\u00edcie. A interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um argumento cr\u00edtico, \u00e9 uma revela\u00e7\u00e3o.<\/p><p><strong>-Entende o teatro como uma cria\u00e7\u00e3o colectiva.<\/strong><br>-As pe\u00e7as que s\u00e3o citadas como minhas n\u00e3o s\u00e3o assim tanto. S\u00e3o pe\u00e7as em que o processo criativo depende muito do debate com os membros da empresa, das suas ideias e contribui\u00e7\u00f5es. O teatro \u00e9 uma soma de decis\u00f5es e tens\u00f5es pelo que, como escrevi, compreendo que um colectivo de teatro precisa de estabilidade para criar. N\u00e3o se trata tanto de estabilidade para realizar, mas sim de investigar, testar e mudar as coisas dia ap\u00f3s dia. Penso que \u00e9 necess\u00e1rio que os membros de uma empresa vivam juntos e se conhe\u00e7am uns aos outros. Isto permite um clima favor\u00e1vel \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o, para procurar o ponto de surpresa que aproxima o espectador do mist\u00e9rio. Tamb\u00e9m para que o teatro n\u00e3o seja uma forma de express\u00e3o morta ou sistem\u00e1tica, porque talvez repetir-se \u00e9 um dos grandes males do teatro.<\/p><p><strong>-Lendo&nbsp;<em>O espa\u00e7o vazio<\/em>&nbsp;ou&nbsp;<em>A porta aberta<\/em>, pode-se compreender que o teatro \u00e9 uma religi\u00e3o, uma cren\u00e7a, um trabalho que precisa de dedica\u00e7\u00e3o, voca\u00e7\u00e3o e que tem algo n\u00e3o tang\u00edvel, material e no qual convergem aspectos emocionais, f\u00edsicos e tamb\u00e9m rituais. Neste contexto, e fazendo a compara\u00e7\u00e3o, quem deve trazer a f\u00e9?<\/strong><br>-O teatro n\u00e3o \u00e9 uma religi\u00e3o, nem \u00e9 um rito. A diferen\u00e7a entre uma religi\u00e3o e teatro \u00e9 que o teatro aproxima o mist\u00e9rio dos espectadores.&nbsp;<em>Je suis un ph\u00e9nom\u00e8ne<\/em>, que realiz\u00e1mos em Santiago, n\u00e3o tem nada a ver com ritual ou religi\u00e3o, mas tem o mesmo prop\u00f3sito que Mahabharata, que poderia de facto estar mais pr\u00f3ximo do ritual. O objectivo \u00e9 que os actores, o autor, o realizador e os espectadores estejam conscientes do mist\u00e9rio e estejam todos interessados em desvend\u00e1-lo, querem participar no mesmo. Este desejo de compreender o desconhecido \u00e9 a verdadeira ac\u00e7\u00e3o do teatro e isto s\u00f3 acontece quando h\u00e1 uma abertura simult\u00e2nea do autor, do realizador, dos actores e dos espectadores para olhar para al\u00e9m dos aspectos psicol\u00f3gicos, sociais ou pessoais e perceber o desconhecido ali. Este processo, por sua vez, desperta o interesse pela investiga\u00e7\u00e3o e investiga\u00e7\u00e3o.<\/p><p><strong>-N\u00e3o disse que o teatro \u00e9 uma religi\u00e3o no sentido literal, mas que se articula em torno de um certo mist\u00e9rio e que o mist\u00e9rio \u00e9 tamb\u00e9m o centro das religi\u00f5es.<\/strong><br>-Mas fala-se de verdadeira religi\u00e3o, mas acontece que, convencionalmente, quando falamos de religi\u00e3o, referimo-nos \u00e0 igreja.<\/p><p><strong>-Em rela\u00e7\u00e3o a&nbsp;<em>Je suis un ph\u00e9nom\u00e8ne<\/em>&nbsp;e ao interesse no c\u00e9rebro e na mem\u00f3ria, pode estar a acontecer que agora que os cientistas descobriram que tudo est\u00e1 no ADN, os artistas se apressam a resituar o esp\u00edrito no c\u00e9rebro, uma vez abandonada a cren\u00e7a rom\u00e2ntica que o colocou no cora\u00e7\u00e3o.<\/strong><br>-Em certo sentido, sim. No teatro, \u00e9 como nas conversas que temos todos os dias: h\u00e1 argumentos que est\u00e3o sempre vivos, que permanecem interessantes. Mas tamb\u00e9m acontece frequentemente que falamos de sociedade, pol\u00edtica, economia e j\u00e1 conhecemos todos os pontos de vista desde o in\u00edcio da humanidade, mesmo antes de algu\u00e9m lhes abrir a boca j\u00e1 sabemos o que v\u00e3o dizer. Estes s\u00e3o, portanto, argumentos aborrecidos. Milagrosamente, o ADN e a neurologia s\u00e3o um novo argumento. Acaba de aparecer e \u00e9 sem d\u00favida a coisa mais recente e em mais r\u00e1pido desenvolvimento, t\u00e3o r\u00e1pido como o desenvolvimento de computadores. A cada dois ou tr\u00eas anos h\u00e1 uma actualiza\u00e7\u00e3o e tudo o que veio antes \u00e9 obsoleto, por isso n\u00e3o podemos ser aborrecidos.<\/p><p><strong>-Ent\u00e3o o argumento do futuro ser\u00e1 a intelig\u00eancia?<\/strong><br>-Para o futuro? Eu n\u00e3o sou um profeta.<\/p><p class=\"wp-block-verse\">25 de agosto de 1998 | Suplemento Culturas La Voz de Galicia\n<\/p><div class=\"card card-cutting card-cutting--card \">\n\t\t\t<div class=\"card-cutting__label\">Cr\u00edtica<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"card-cutting__thumbnail\">\n\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/pisofranco.gal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/4823C7DA-87AE-43E7-B0DA-C556D9E1028F-800x600.jpeg\" class=\"card-cutting__thumbnail__image card-img-top\" alt=\"\">\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"card-body card-cutting__body\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t<h3 class=\"card-title card-cutting__title\">Anatom\u00eda da mem\u00f3ria<\/h3>\n\t\t\t\t<div class=\"card-cutting__content\">\n\t\t\t\t<p>N\u00e3o h\u00e1 arte que n\u00e3o tenha especulado sobre se a mem\u00f3ria \u00e9 a verdadeira p\u00e1tria do indiv\u00edduo. \u00c9 uma especula\u00e7\u00e3o t\u00e3o extensa como a necessidade que temos de nos lembrar que a mem\u00f3ria nos trai tanto quanto nos permite sobreviver a esse combate permanente, di\u00e1rio e surdo contra o esquecimento. No fim de contas, \u00e9 a intensidade da luta que nos define.<\/p><p>\u00a0<em>Je suis un ph\u00e9nom\u00e8ne<\/em>\u00a0especula menos com a mem\u00f3ria, com as suas presen\u00e7as e aus\u00eancias, do que com a ang\u00fastia do portento acorrentado \u00e0s suas pr\u00f3prias virtudes. Porque o personagem principal est\u00e1 mais longe do Mozart que se diverte com o seu virtuosismo do que do homem elefante que sofreu rejei\u00e7\u00e3o pelas suas diferen\u00e7as.<\/p><p>\u00a0Peter Brook foge da portentosidade do personagem para mergulhar no que \u00e9 humano e espiritual ao recordar. Ao definir esta dimens\u00e3o n\u00e3o-mec\u00e2nica da mem\u00f3ria (ou devo escrever n\u00e3o-qu\u00edmica para descansar a mente dos cientistas), ele abre a porta ao sofrimento da personagem.<\/p><p>\u00a0\u00c9 verdade que este homem de mem\u00f3ria prodigiosa \u00e9 um est\u00f3ico e ambos resistem a ser o fen\u00f3meno que lhe \u00e9 dito e resistem \u00e0s dificuldades que o prod\u00edgio traz consigo. Ele est\u00e1 \u00e0 beira do precip\u00edcio e caminha ao longo dele.<\/p><p>\u00c9 precisamente nos espelhos que o mundo empresta ao mnemonista que reside a for\u00e7a da montagem. No espelho deste m\u00e9dico e bi\u00f3grafo, na hist\u00f3ria da amizade de duas pessoas que est\u00e3o destinadas a admirar-se uma \u00e0 outra. No espelho estoicamente confiante da sua esposa. Para al\u00e9m do car\u00e1cter perfeitamente tra\u00e7ado e das suas rela\u00e7\u00f5es mais imediatas,\u00a0<em>Je suis un ph\u00e9nom\u00e8ne<\/em>\u00a0parece uma obra fr\u00e1gil, com uma dist\u00e2ncia excessiva entre o central e o acess\u00f3rio. Para al\u00e9m do trabalho dos protagonistas, t\u00e3o matizado, t\u00e3o natural na sua precis\u00e3o, a montagem perde tens\u00e3o, como se a intensidade da hist\u00f3ria fosse directamente proporcional \u00e0 proximidade com o personagem central.<\/p><p>\u00a0Perde peso e perde densidade, talvez perda a mem\u00f3ria do teatro e mergulhe nos caminhos mais do que ultrapassados do hieratismo. A pe\u00e7a tamb\u00e9m perde peso no final, talvez um ponto fora de rota devido a uma certa \u00e2nsia pretensiosa do texto, ou talvez um pouco demais para um protagonista que se lembrava tanto como vivia.<\/p><p class=\"wp-block-verse\"><em>Je suis un ph\u00e9nom\u00e8ne\n<\/em>\nDirector: Peter Brook.\nAutor: Marie H\u00e9l\u00e8ne Estienne, Peter Brook sobre o libro e Alexander R. Luria. \nReparto: Maurice B\u00e9nichou, Genevi\u00e8ve Mnich, Bruce Myers, Sotigui Kouyat\u00e9, P\u00e9irre B\u00e9nichou, Natacha Maratrat.\nFestival Millenium. Santiago de Compostela. 1998.\n<\/p><p><br><br><\/p>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div><div class=\"card card-cutting card-cutting--card \">\n\t\t\t<div class=\"card-cutting__label\">Cr\u00edtica<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"card-cutting__thumbnail\">\n\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/pisofranco.gal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/6E1BABA0-6A64-4830-A00B-F94060E286DB-800x600.jpeg\" class=\"card-cutting__thumbnail__image card-img-top\" alt=\"\">\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"card-body card-cutting__body\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t<h3 class=\"card-title card-cutting__title\">Areias movedi\u00e7as\ufffc<\/h3>\n\t\t\t\t<div class=\"card-cutting__content\">\n\t\t\t\t<p>A vida deve ser um exerc\u00edcio semelhante a sobreviver em areias movedi\u00e7as. Um exerc\u00edcio de optimismo misturado com a esperan\u00e7a limitada de n\u00e3o ter sa\u00edda, por muito que se aperte a m\u00e3o. Muito disto \u00e9 sofrido pelo protagonista de&nbsp;<em>Oh les beaux jours<\/em>, uma pe\u00e7a parab\u00f3lica no melhor sentido, com uma personagem na pior das circunst\u00e2ncias que realiza poucos n\u00fameros di\u00e1rios de optimismo iludido. Para que n\u00e3o haja interpreta\u00e7\u00f5es erradas, \u00e9 de notar que a pe\u00e7a n\u00e3o \u00e9 optimista por um \u00fanico segundo.<\/p><p>A proposta de Peter Brook serve cuidadosamente o prop\u00f3sito de Beckett de n\u00e3o oferecer respostas e deixar o espectador \u00e0 frente das perguntas. Ele deixa-o e, para fazer bem o seu trabalho, deixa-o muito s\u00f3.<\/p><p>Esta produ\u00e7\u00e3o desenvolve-se com grande intensidade aquele jogo subtil de espelhos que \u00e9 o teatro: proporciona o necess\u00e1rio, o essencial para dar ao espectador a sensa\u00e7\u00e3o final de que todas as personagens do teatro s\u00e3o a personagem e que qualquer espectador pode ser essa personagem. F\u00e1-lo, al\u00e9m disso, dessa forma imediata e pouco utilizada para tornar o dif\u00edcil f\u00e1cil, de contar o complicado de uma forma simples.<\/p><p>\u00c9 uma vers\u00e3o meticulosa sem truques. Uma montagem luminosa sobre as circunst\u00e2ncias e sobre a capacidade de resposta, sobre a sobreviv\u00eancia e sobre a capacidade de resposta, sobre a sobreviv\u00eancia e sobre as dist\u00e2ncias que separam os companheiros de viagem. Finalmente, \u00e9 tamb\u00e9m uma pe\u00e7a sobre a solid\u00e3o, mas quase todas as pe\u00e7as deste s\u00e9culo t\u00eam um pouco disso. Talvez, ao contr\u00e1rio de outros casos, aqui a solid\u00e3o seja tratada na medida certa, no metro quadrado exacto em que o ser humano tem uma parcela de terra para ela.<\/p><p>Por outro lado,&nbsp;<em>Oh les beaux jours<\/em>&nbsp;\u00e9 tamb\u00e9m um exerc\u00edcio em plenitude c\u00e9nica, em conhecimento e comunica\u00e7\u00e3o. \u00c9 um exerc\u00edcio na plenitude de representa\u00e7\u00e3o da actriz Nastasha Parry, e talvez alguns espectadores n\u00e3o tenham resistido \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de se perguntarem se a resist\u00eancia da actriz foi t\u00e3o grande como a exibida pela personagem que interpreta.A pe\u00e7a \u00e9 uma pe\u00e7a de teatro sobre resist\u00eancia, e talvez seja disto que se trata a vida. Ao resistir ao destino com pequenas armadilhas, ao aceitar que, se for enterrado at\u00e9 \u00e0 cintura, poder\u00e1 um dia ser enterrado at\u00e9 aos dentes. Devemos saber que esta forma de resist\u00eancia \u00e9 outra forma de derrota, mas \u00e9 honesta e, acima de tudo, muito humana.<\/p><p class=\"wp-block-verse\"><em>Oh les beaux jours <\/em>\nDirecci\u00f3n: Peter Brook Reparto: \nNatasha Parry, Fran\u00e7ois Bert\u00e9. \nEscenograf\u00eda: Chlo\u00e9 Obolensky\nFestival Millenium. Santiago de Compostela 1998<\/p>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Peter Brook (1925-2022) visitou Santiago de Compostela em 1998 como protagonista da primeira edi\u00e7\u00e3o do Festival Millenium. Duas obras suas fizeram parte da programa\u00e7\u00e3o, Je suis um ph\u00e9nom\u00e8ne e Oh les beaux jours. Brook explicou uma e outra vez o que considerava teatro e o festival levou aos espectadores a um fechado cine Capitol que para o director parecia ter a vantagem de estar muito pr\u00f3ximo da ru\u00edna. A semana passada (2 de julho de 2022) morreu Brook e desde 1998 voltaram uma entrevista, duas cr\u00edticas e uma conclus\u00e3o. A entrevista e as cr\u00edticas dos seus dois espect\u00e1culos em Santiago seguem aqui. A conclus\u00e3o \u00e9 que pese ao prest\u00edgio, o reconhecimento, a intelig\u00eancia e mesmo o sucesso de Brook, o teatro n\u00e3o lhe fixo caso.<\/p>\n","protected":false},"author":51,"featured_media":249501,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":"","_members_access_role":[],"_members_access_error":""},"categories":[82],"tags":[],"class_list":["post-252249","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevista-pt"],"acf":[],"post_template":"entrevista","post_subscription":"no","pretitle":"","content_extract":"Qualquer espa\u00e7o vazio pode ser um teatro se um homem o atravessar enquanto outro homem o observa. 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