{"id":273825,"date":"2022-09-09T20:35:46","date_gmt":"2022-09-09T18:35:46","guid":{"rendered":"https:\/\/pisofranco.gal\/artigos\/2022\/09\/09\/o-home-que-escribiu-aqui-273825\/"},"modified":"2022-09-30T11:43:53","modified_gmt":"2022-09-30T09:43:53","slug":"o-home-que-escribiu-aqui","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pisofranco.gal\/pt-pt\/artigos\/2022\/09\/09\/o-home-que-escribiu-aqui-273825\/","title":{"rendered":"O homem que escreveu aqui"},"content":{"rendered":"<p>Apesar de conhecer os sinais, RBV estava inquieto com as cerim\u00f3nias e poder\u00edamos dizer que, no aspecto cerimonial de recordar um anivers\u00e1rio, estaria inquieto, apesar de ter ganho alguma paci\u00eancia do p\u00fablico para estas coisas nos \u00faltimos anos. Porque h\u00e1 tantas raz\u00f5es para o mal-estar que n\u00e3o nos concentramos nas raz\u00f5es certas. E \u00e9 isto que mais incomodaria Vidal Bola\u00f1o agora: que tendo tantas causas de morte, dever\u00edamos estremecer com a falta de verbenas. Iria irrit\u00e1-lo se troc\u00e1ssemos p\u00e3o por espelhos e ele teria tempo para uma com\u00e9dia cruel com influencers, opositores, pessoas boas fazendo o mal e pessoas m\u00e1s para quem o mal n\u00e3o \u00e9 uma qualifica\u00e7\u00e3o moral mas uma forma de subsist\u00eancia.<\/p><p>Haveria outra coisa que poderia ser uma causa para a reprova\u00e7\u00e3o do Sr. Palha\u00e7o contra n\u00f3s. Apesar de todos os avisos que nos deu, apesar da nitidez do retrato que nos deixou, continu\u00e1mos a conduzir a carrinha na direc\u00e7\u00e3o oposta. Ganhamos alguns metros, perdemos alguns quil\u00f3metros.&nbsp;&nbsp;Estamos mais uma vez distra\u00eddos com a urg\u00eancia enquanto o que \u00e9 importante nos \u00e9 tirado e queremos disfar\u00e7ar as desgra\u00e7as como trag\u00e9dias para que, pelo menos, possamos dizer que fizemos algo importante.<\/p><p>Porque a quest\u00e3o \u00e9 o que Roberto Vidal Bola\u00f1o fez com o seu trabalho. O que fez ele como autor, realizador, actor, designer de ilumina\u00e7\u00e3o, atrevido, condutor de carrinhas e tudo o que teve de fazer para chegar um dia a Ribadavia para estrear&nbsp;<em>O desengano do Prioiro<\/em>. Porque \u00e9 que ele aceitou tanta dor e sofrimento se n\u00e3o fosse, al\u00e9m de ter uma miss\u00e3o e uma profiss\u00e3o, deixar-nos o retrato mais completo do fim do s\u00e9culo na Galiza que qualquer escritor alguma vez fez. O nosso retrato, que j\u00e1 l\u00e1 est\u00e1vamos, \u00e9 o retrato de um pa\u00eds que tanto se engana a si pr\u00f3prio. Nas obras de Vidal Bola\u00f1o \u00e9 muito claro que a Galiza \u00e9 mais f\u00e1cil de imaginar do que de viver e que o facto de n\u00f3s, galegos, sermos t\u00e3o conhecidos pela saudade e devaneio tem um argumento \u00f3bvio: n\u00e3o gostamos da realidade. E um menos \u00f3bvio: n\u00e3o sabemos como mud\u00e1-lo. E outro argumento muito desconfort\u00e1vel: consideramo-nos mais capazes de resistir do que de mudar. Parecemos melhores como m\u00e1rtires do que como her\u00f3is. Esta demiss\u00e3o pol\u00edtica deixou a RVB inquieta e \u00e9 por isso que n\u00e3o queria ser um escritor sem mais nem menos, queria agir em todos os lugares e fazer algo com as m\u00e3os, tarefa que na Galiza de onde veio Bola\u00f1o foi entendida como pertencendo a pessoas boas e generosas.<\/p><p>Para uma s\u00e9rie de decis\u00f5es tomadas por Roberto Vidal Bola\u00f1o, a fim de falar sobre ele, \u00e9 necess\u00e1rio explicar o aqui. Aqui est\u00e1 uma palavra b\u00e1sica. Como a m\u00e3e e o pai, que dizem tudo e nada dizem. Que de tantos campos sem\u00e2nticos que eles representam, ningu\u00e9m pode dizer o que significam para as \u00faltimas consequ\u00eancias&nbsp;<\/p><p>Aqui, para Roberto Vidal Bola\u00f1o, significava Aqui, e todos sabem o que significa, apesar do facto de entre o primeiro aqui e o segundo aqui haver uma p\u00e1tria no meio. Mas n\u00e3o em abstracto. Porque RVB disse aqui e, perdoa a piada, ele estava a falar de espa\u00e7o e tempo. Essas duas coordenadas que, quando se fala de um pa\u00eds, s\u00e3o insepar\u00e1veis e n\u00e3o podem ser concebidas uma sem a outra. Tamb\u00e9m. Tamb\u00e9m porque o teatro est\u00e1 sempre aqui. Onde isso acontece. Onde est\u00e1. Onde est\u00e1.<\/p><p>A Galiza que a RBV habitou antes de retratar foi marcada por algumas das grandes transforma\u00e7\u00f5es do s\u00e9culo XX. Uma transforma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00f3bvia, se bem que algo cosm\u00e9tica. Uma deslocaliza\u00e7\u00e3o social \u00f3bvia devido a uma transforma\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica n\u00e3o t\u00e3o \u00f3bvia mas muito marcada. Chegaram aparelhos dom\u00e9sticos, chegou a televis\u00e3o, chegaram os sem\u00e1foros. Todas as coisas de organiza\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica e social que, na pr\u00e1tica, nos deixaram uma sensa\u00e7\u00e3o eficaz de plena incorpora\u00e7\u00e3o no s\u00e9culo XX. N\u00e3o devemos esquecer, e a RVB n\u00e3o esqueceu, que em algumas partes da Galiza, as casas de banho no interior das casas s\u00f3 chegaram dez anos antes do primeiro telem\u00f3vel&nbsp;<\/p><p>O teatro de Roberto Vidal Bola\u00f1o retratou a Galiza dessa mudan\u00e7a, a Galiza que deixou de ser uma terrina para passar a ser um terra\u00e7o. A Galiza que, a partir da mesma mentalidade, passou de m\u00e3e e amante a um evento xacobeo. Passou de fugir das montanhas para viver numa casa em socalcos e depois regressar para renovar a casa da fam\u00edlia. Uma transforma\u00e7\u00e3o que deixou os monstros para tr\u00e1s, e \u00e9 aqui que nasce o retrato pol\u00edtico e social de uma sociedade demasiado confiante no poder dos tijolos e na cimenta\u00e7\u00e3o intensiva do passado&nbsp;<\/p><p>O retrato resultante talvez n\u00e3o tenha sido planeado pelo autor. Surgiu como resultado da observa\u00e7\u00e3o e da necessidade de escrever a partir de um ponto que n\u00e3o mudou e n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o comum no pa\u00eds como poderia parecer: a ideia de que as hist\u00f3rias que precisam de ser contadas s\u00e3o as que importam, as que est\u00e3o \u00e0 nossa volta, as que nos afectam mas, acima de tudo, as que nos explicam. Roberto Vidal Bola\u00f1o quis explicar e podemos dizer que foi bem sucedido. Outra coisa \u00e9 que toda a par\u00f3quia est\u00e1 \u00e0 vontade com os resultados. A RVB sabia que o teatro dava a medida das coisas, que ofereceria o retrato mais humano, se n\u00e3o entendermos o humano como uma descri\u00e7\u00e3o nobre.<\/p><p>O teatro da RVB, para o dizer de forma grosseira, come\u00e7ou com o simb\u00f3lico, o festivo e o popular e acabou por confrontar a realidade atrav\u00e9s da par\u00f3dia, da com\u00e9dia e do drama sentencioso. Vidal Bola\u00f1o confrontou-se com muitos dos argumentos de duplo fundo da contemporaneidade. A RVB foi muito conflituosa.<\/p><p>Alguns destes confrontos lan\u00e7am Vidal Bola\u00f1o numa imagem a que o seu trabalho n\u00e3o correspondeu. Uma coisa que acontece com os escritores \u00e9 que h\u00e1 demasiados crit\u00e9rios: se escrevem lindamente, se trabalham num jornal, se s\u00e3o directores de uma editora, se t\u00eam um Instagram com os filtros certos, se s\u00e3o amigos do conselheiro. Mas devemos julgar os escritores, se necess\u00e1rio, pelos seus argumentos. Melhor um conceptista do que um culterano. Voto a favor dos argumentos sem negligenciar a dic\u00e7\u00e3o, e \u00e9 precisamente nesta \u00e1rea que o trabalho de Roberto Vidal Bola\u00f1o tem outra dimens\u00e3o que eles n\u00e3o lhe quiseram conceder.<\/p><p>Eu sei que o grande romance galego \u00e9 uma par\u00f3dia. Um tipo de complexo cultural que temos que, em vez de nos reafirmarmos por aquilo que somos, tenta encontrar apoio na assimila\u00e7\u00e3o com o que os outros fazem. H\u00e1 muito tempo que estamos protegidos nesta demiss\u00e3o. Mas se quisermos aceitar a ideia de que grandes hist\u00f3rias requerem grandes romances, o que \u00e9 como acreditar que o que \u00e9 importante num teatro \u00e9 o edif\u00edcio, ter\u00edamos de perceber que os grandes romances galegos foram escritos para o teatro. Algumas delas, ali\u00e1s, foram escritas por Roberto Vidal Bola\u00f1o.&nbsp;&nbsp;Mas pedir para avaliar um autor pelas suas parcelas \u00e9 pedir demais. N\u00e3o deixemos o Antroido declinar.<\/p><p>Sei que todos conhecem as obras completas de Roberto Vidal Bola\u00f1o, mas ainda me resta algum tempo e queria citar alguns argumentos para mostrar que a RVB pode muito bem ser o escritor mais representativo da Galiza no final do s\u00e9culo XX. N\u00e3o me refiro ao dramaturgo, mas ao escritor.<\/p><p>Suponhamos que&nbsp;<em>Animali\u00f1os<\/em>&nbsp;era aquele romance sarc\u00e1stico sobre a nova turma que nasceu na Galiza no final do s\u00e9culo XX, quando as casas da aldeia ou apartamentos de estudantes foram substitu\u00eddos por casas em socalcos nos sub\u00farbios. N\u00e3o estou a ser realista porque n\u00e3o h\u00e1 tanto sarcasmo na narrativa galega. Nem sequer retranca. A pequena burguesia e as suas grandes obsess\u00f5es, armas de destrui\u00e7\u00e3o m\u00ednima e como, sim ou sim, matamos acima das nossas necessidades.<\/p><p>Tamb\u00e9m esta ideia cl\u00e1ssica de que quando apontamos os monstros, os monstros somos n\u00f3s. \u00c9 verdade que a&nbsp;<em>Criaturas<\/em>&nbsp;era uma com\u00e9dia, mas j\u00e1 n\u00e3o era sarc\u00e1stica, houve uma gradua\u00e7\u00e3o porque a RVB sabia que o humor \u00e9 um instrumento de conhecimento. Mas na estadia do monstro entre os galegos, a ternura foi proporcionada pelo monstro.<\/p><p>Na literatura galega, na narrativa, h\u00e1 tamb\u00e9m um certo carinho pela lumina. C\u00f3mico. Um pouco estereotipado. Por vezes romantizando. Come\u00e7arei a dar t\u00edtulos quando todos tiverem subscrito o Piso Franco. Apesar de tudo isto, penso que nunca ningu\u00e9m foi capaz de misturar o l\u00famen prolet\u00e1rio com John Coltrane na mesma hist\u00f3ria. Nem mesmo nos Estados Unidos.&nbsp;<em>Saxo Tenor<\/em>&nbsp;pode ter sido sobrecarregado pelas circunst\u00e2ncias. Mas a mudan\u00e7a de enfoque que ele ofereceu para a literatura daquela \u00e9poca (que hesitou entre narcos ou guerra civil) valeu realmente a pena ter em conta.<\/p><p>Mas, mas, mas, mas&#8230; como se pode falar de narrativa se n\u00e3o se fala de romances hist\u00f3ricos, romances de \u00e9poca ou daqueles em que as decora\u00e7\u00f5es da vindima s\u00e3o apenas mais uma personagem da hist\u00f3ria. Desculpem, desculpem, desculpem. Como poderia eu perder um elemento t\u00e3o importante na literatura escapista? N\u00e3o sei por onde come\u00e7ar. Pelo que est\u00e1 mais pr\u00f3ximo, porque vejo os contadores de hist\u00f3rias sobrecarregados com a oferta abundante do Caminho de Santiago, procurando fen\u00f3menos paranormais, conspira\u00e7\u00f5es russas e todo o tipo de truques de enredo que fazem fronteira com o rid\u00edculo. E l\u00e1 foi RVB com&nbsp;<em>As actas escuras<\/em>, propondo o m\u00e9todo de uma investiga\u00e7\u00e3o para al\u00e9m da pol\u00edcia contra o mito da fantasia. Motivo contra a lenda.<\/p><p>E&nbsp;<em>Dias sin gloria<\/em>&nbsp;poderia ser inclu\u00eddo no mesmo ramo, que ainda \u00e9 a batalha dos incr\u00e9dulos quando a necessidade se faz sentir. Uma batalha t\u00e3o longa como uma estrada, sem confessar o desejo de acreditar. \u00c9 outra vis\u00e3o de f\u00e9, quando parece t\u00e3o \u00fatil como os filmes.<\/p><p>E, claro, Franco tamb\u00e9m teve de ser morto. S\u00f3 por isso,&nbsp;<em>Doentes<\/em>&nbsp;poderia ter sido um romance. As v\u00edtimas da hist\u00f3ria tentando matar Franco no meio da caspa e da sobreviv\u00eancia de Compostela. \u00c9 um enredo. E tem um filme.<\/p><p>Ainda poderia dizer algo sobre&nbsp;<em>Agasallo de sombras<\/em>&nbsp;e a biografia Rosalina. Se a RVB n\u00e3o der um salto em frente na reinterpreta\u00e7\u00e3o da figura e tamb\u00e9m em fazer uma literatura sobre ele que revelaria antes de mitologizar, n\u00e3o poderemos saber quem deu esse salto.<\/p><p>Se estes argumentos n\u00e3o justificam a obra liter\u00e1ria com a maior inten\u00e7\u00e3o de retratar a Galiza, a Galiza contempor\u00e2nea, sem filtros, ao vivo, sem concess\u00f5es, que argumentos existem para se ter? S\u00e3o todos aqueles que est\u00e3o l\u00e1, mas nem todos eles est\u00e3o l\u00e1. Os prisioneiros est\u00e3o desaparecidos.<\/p><p>H\u00e1 tardes em que penso que s\u00f3 Rastros justificaria a classifica\u00e7\u00e3o. E digamos que a obra poderia ter sido um romance sobre como uma gera\u00e7\u00e3o ing\u00e9nua irrompe contra a realidade. E tenta viver ignorando e desconsiderando o perpetrador. Uma hist\u00f3ria em que os c\u00ednicos mudam de andar e os inocentes pagam. E as mulheres. Um romance com luta armada e tripas. Uma obra que teve um presente muito claro e um grande jogo de correspond\u00eancias com a realidade. Um romance como uma frase. Felizmente, Vidal Bola\u00f1o disse numa entrevista que n\u00e3o tinha a gra\u00e7a da narrativa.<\/p><p>Se a arte liter\u00e1ria de Roberto Vidal Bola\u00f1o foi o retrato social, sabemos que a Galiza est\u00e1 h\u00e1 20 anos sem um retrato fi\u00e1vel, se fizermos as perguntas certas sobre o que fizemos nestas duas d\u00e9cadas com o que a RVB nos explicou, teremos de antecipar que a sua pr\u00f3xima obra ser\u00e1 desconfort\u00e1vel. Bola\u00f1o sabia que o teatro \u00e9 uma lupa que amplifica os nossos gestos, que nos sujeita \u00e0 amplifica\u00e7\u00e3o dos actos. Quando pensamos no que a RVB faria, devemos sentir o peso dessa lente de aumento sobre n\u00f3s, o scanner revelando os nossos truques.&nbsp;&nbsp;Roberto Vidal Bola\u00f1o enfrentou uma Galiza que mudou de rumo na direc\u00e7\u00e3o das tempestades. As tempestades que ele anunciou s\u00e3o estas, elas est\u00e3o aqui. Se a RBV estreasse agora, ter\u00edamos de nos enfrentar com algum do ambiente de Santiago como pano de fundo, com o desencanto confirmado de ter perdido a oportunidade, com o cansa\u00e7o de ver novamente como trocamos direitos por mi\u00e7angas. Poderia apontar novamente para esse territ\u00f3rio entre o cinismo e a hipocrisia que colore quase todas as rela\u00e7\u00f5es sociais. Isso altera todas as decis\u00f5es. Ilustraria o papel do car\u00e1cter de soldado boliviano&nbsp;<\/p><p>Poderia fazer uma com\u00e9dia que pareceria estar ausente. A mesma aus\u00eancia de esp\u00edrito que pode permitir que um escritor com quatro romances seja considerado como tal e representativo do seu tempo e um dramaturgo com 50 enredos que n\u00e3o o s\u00e3o. Isto n\u00e3o \u00e9 bom nem mau, apenas explica como estamos. Como estamos aqui.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste ponto do s\u00e9culo XXI, n\u00e3o sei se a coisa apropriada a fazer \u00e9 perguntarmo-nos como \u00e9 o trabalho de Roberto Vidal Bola\u00f1o, como evoluiu, que vest\u00edgios deixou, quantas das suas decis\u00f5es foram art\u00edsticas ou pr\u00e1ticas, ou quantas circunst\u00e2ncias da sua vida foram decisivas para fazer certas escolhas. Talvez a coisa apropriada a fazer em Setembro de 2022 seja colocar-nos a mesma pergunta que ele nos faria: o que \u00e9 que fizemos? O que temos feito nos \u00faltimos vinte anos em geral e o que temos feito nestes vinte anos com o trabalho de Roberto Vidal Bola\u00f1o em particular. Estou certo de que existe um verbo que resumiria uma grande parte das respostas e, mesmo que fosse verdade, continuaria a ser escapista: resistir. Resistir, todos n\u00f3s resistimos e estamos aqui, embora isto aqui n\u00e3o tivesse nada a ver com a RBV.<\/p>\n","protected":false},"author":51,"featured_media":273797,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[195],"tags":[],"class_list":["post-273825","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-fatiga-ocular-pt-pt"],"acf":[],"post_template":"reportaxe","post_subscription":"no","pretitle":"","content_extract":"Apesar de conhecer os sinais, RBV estava inquieto com as cerim\u00f3nias e poder\u00edamos dizer que, no aspecto cerimonial de recordar um anivers\u00e1rio, estaria inquieto, apesar de ter ganho alguma paci\u00eancia do p\u00fablico para estas coisas nos \u00faltimos anos. Porque h\u00e1 tantas raz\u00f5es para o mal-estar que n\u00e3o nos concentramos nas raz\u00f5es certas. 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