{"id":294900,"date":"2022-11-04T11:58:56","date_gmt":"2022-11-04T10:58:56","guid":{"rendered":"https:\/\/pisofranco.gal\/artigos\/2022\/11\/04\/a-3-294900\/"},"modified":"2022-11-04T13:26:49","modified_gmt":"2022-11-04T12:26:49","slug":"a-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pisofranco.gal\/pt-pt\/artigos\/2022\/11\/04\/a-3-294900\/","title":{"rendered":"Assim se passaram trinta anos"},"content":{"rendered":"<p>Penso que foi uma discoteca, o primeiro lugar onde vi o Ch\u00e9vere. Eles estavam a cantar vestidos de cowboys do oeste e penso que havia um chicote como cando os Blues Brothers.<\/p><p>Ainda hoje algumas pessoas ainda usam o adjetivo alternativo para se referirem ao Ch\u00e9vere, mas essa descri\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 muito \u00fatil porque por esta altura j\u00e1 s\u00e3o a empresa mais conhecida e reconhecida na Galiza e, mais ainda, uma das mais antigas. S\u00e3o dados \u00e0 juventude, o que pode distorcer um pouco o retrato, e s\u00e3o dados aos trastes e tamb\u00e9m a n\u00e3o se deixarem aplaudir demasiado quando as obras terminam. Hoje em dia o Ch\u00e9vere \u00e9 um dos principais destinos na Galiza e este \u00e9 outro daqueles surpreendentes paradoxos oferecidos por este pa\u00eds que se diz ser belo, cat\u00f3lico e sentimental. Ch\u00e9vere n\u00e3o \u00e9 nenhuma dessas tr\u00eas coisas e a\u00ed est\u00e1 ela: tendo a vis\u00e3o oposta para fixar o discurso. Fazendo biografias de Amancio Ortega para que n\u00e3o se diga que n\u00e3o temos coisas a dizer.<\/p><p>Passados trinta anos, devemos recordar que houve uma \u00e9poca em que a empresa era um rebanho de jovens mais ansiosos por provocar do que por estudar. Era essa hist\u00f3ria, algures entre a divers\u00e3o de um bar e a apatia da universidade. Era um grupo de teatro que queria parecer uma banda de rock, que at\u00e9 colocou em palco uma cultura pop que n\u00e3o se enquadrava na cultura institucional da Galiza. Era um grupo que levava as conven\u00e7\u00f5es muito a s\u00e9rio: n\u00e3o respeitava nenhuma delas. Essa dist\u00e2ncia contra a conven\u00e7\u00e3o foi mantida ao longo dos anos. Esse esp\u00edrito ainda est\u00e1 aqui. Mas como diria Che &#8211; Guevara, n\u00e3o o de O Irixo &#8211; &#8220;hoje tudo tem um tom menos dram\u00e1tico porque estamos mais maduros, mas o facto repete-se&#8221;. O de arruaceiro &#8211; que \u00e9 outro adjetivo que, como alternativo, n\u00e3o define algo por si s\u00f3, mas por aquilo que o resto \u00e9 &#8211; passou da linha da frente para tr\u00e1s, mas continua a mover a inten\u00e7\u00e3o da companhia.<\/p><p>Embora Ch\u00e9vere tenha encenado o <em>Rio Bravo<\/em> pela terceira vez, n\u00e3o \u00e9 uma companhia nost\u00e1lgica. Penso que est\u00e3o novamente a dar os seus maiores \u00eaxitos porque est\u00e3o surpreendidos por estarem aqui e por ainda estarem juntos e que, mais ou menos, as inten\u00e7\u00f5es continuam a ser as mesmas. Est\u00e3o surpreendidos porque h\u00e1 trinta anos houve tr\u00eas ou quatro crises para viver, v\u00e1rias divis\u00f5es na esquerda nacionalista, todo Fraga e o p\u00f3s-Fraguismo estavam desaparecidos. Feij\u00f3o estava desaparecido, o segundo Feij\u00f3o estava desaparecido e o terceiro ainda est\u00e1 desaparecido. O sector audiovisual galego e Agadic estavam desaparecidos. E nunca est\u00e1vamos todos l\u00e1, os prisioneiros estavam sempre desaparecidos. Assim, os espectadores foram surpreendidos por Ch\u00e9vere e assim fez parte da profiss\u00e3o. \u00c9 por isso que a surpresa, e \u00e9 por isso que continuamos a reivindicar a realidade do presente. Porque Ch\u00e9vere ainda est\u00e1 aqui com mais divers\u00e3o e mais lucidez do que todos os conselhos da Xunta que caem \u00e0s quintas-feiras. Porque, apesar de tudo, eles n\u00e3o perderam o seu humor ou o seu absurdo. Tamb\u00e9m porque t\u00eam a vantagem: com Patricia de Lorenzo em palco tudo \u00e9 mais divertido. Mais teatro. Mais melhor.<\/p><p><\/p><div class=\"contentlink  operational-element\" rel=\"{&quot;action&quot;:&quot;opennew&quot;,&quot;payload&quot;:280868}\">\n\n\t\t\t\t\t<div class=\"contentlink__label\">Mas Ch\u00e9vere<\/div>\n\t\t\n\t\t\t\t\t<div class=\"contentlink__thumbnail\">\n\t\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/pisofranco.gal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/pat-lorenzo-1-800x600.jpg\" class=\"contentlink__thumbnail__image\" alt=\"\">\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\n\t\t<div class=\"contentlink__body\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"article-locator\">\n\t\t\t\t\t<span class=\"article-locator__first\">Fadiga Ocular<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\n\t\t\t<h3 class=\"contentlink__title\">Uma hist\u00f3ria de Galicia<\/h3>\n\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"contentlink__content\">\n\t\t\t\t\t<p>Em Muros j\u00e1 n<\/p>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\n\t\t<div class=\"card-footer contentlink__footer\">\n\t\t\t<div class=\"btn contentlink__button\">Ir ao conte\u00fado<\/div>\n\t\t<\/div>\n\n\t<\/div><p class=\"wp-block-verse\">Publicado en T\u00e1boa Redonda, El Progreso, 30 de maio de 2017\n\n\n\n<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 cinco anos atr\u00e1s, Ch\u00e9vere fez trinta anos. Agora s\u00e3o trinta e cinco e entre exposi\u00e7\u00f5es, desembarques, livros, filmes e o facto de o mal n\u00e3o diminuir, n\u00e3o t\u00eam feito o suficiente para documentar a realidade que tantas vezes \u00e9 escondida. Fazer mem\u00f3ria da mem\u00f3ria.<\/p>\n","protected":false},"author":51,"featured_media":294809,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[195],"tags":[],"class_list":["post-294900","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-fatiga-ocular-pt-pt"],"acf":[],"post_template":"reportaxe","post_subscription":"no","pretitle":"","content_extract":"Penso que foi uma discoteca, o primeiro lugar onde vi o Ch\u00e9vere. Eles estavam a cantar vestidos de cowboys do oeste e penso que havia um chicote como cando os Blues Brothers. 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