{"id":347649,"date":"2023-02-17T15:41:39","date_gmt":"2023-02-17T14:41:39","guid":{"rendered":"https:\/\/pisofranco.gal\/artigos\/2023\/02\/17\/io-347649\/"},"modified":"2023-02-17T16:17:43","modified_gmt":"2023-02-17T15:17:43","slug":"io","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pisofranco.gal\/pt-pt\/artigos\/2023\/02\/17\/io-347649\/","title":{"rendered":"O que nos acompanha"},"content":{"rendered":"<p>Se abandonarmos o dramatismo, veremos que somos todos mais ou menos iguais, que somos mais iguais do que diferentes. Mesmo que algumas pessoas se exibam muito sem raz\u00e3o aparente. H\u00e1 aqueles que arrastam as pernas e aqueles que carregam horas extraordin\u00e1rias \u00e0s costas. H\u00e1 os que carregam o peso da sua franqueza e h\u00e1 os que usam a m\u00e1scara com todo o peso do auto-retrato. H\u00e1 os que fingem sofrer e os que fingem ser sofridos. H\u00e1 os que fingem ter a ver com todo o peso das consequ\u00eancias. H\u00e1 os que fingem estar, h\u00e1 os que fingem estar. H\u00e1 essa diferen\u00e7a.<br><br>O Carnaval n\u00e3o existe. N\u00e3o porque o rito n\u00e3o seja saud\u00e1vel, mas porque o carnaval foi ultrapassado pela realidade na sua opera\u00e7\u00e3o transformista. Nem \u00e9 verdade que a verdade s\u00f3 \u00e9 dita atrav\u00e9s do disfarce: a espiral de dissimula\u00e7\u00e3o tem tantas camadas sucessivas de fic\u00e7\u00e3o e realidade que \u00e9 imposs\u00edvel reconhecer qual \u00e9 a parte natural, que \u00e9 a parte constru\u00edda. O envelope da dissimula\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o permite distin\u00e7\u00f5es. Permite um novo fen\u00f3meno: a aceita\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o h\u00e1 distin\u00e7\u00e3o entre as camadas; que a soma das sobreposi\u00e7\u00f5es \u00e9 o que, no fim de contas, nos representa. Aquilo que nos acompanha \u00e9 tamb\u00e9m n\u00f3s, como se a mochila do que nos disfar\u00e7amos de que nos disfar\u00e7amos com acaba por ser um novo membro que faz parte do peso di\u00e1rio que movemos e que precisamos de drogar para que possa ser incorporado na nossa identidade a um ritmo acelerado. Aquela parte que nos acompanha, consideramos territ\u00f3rio rec\u00e9m-colonizado, ocupamos o seu espa\u00e7o, colocamos-lhe novas l\u00ednguas na esperan\u00e7a de que tudo se confunda o suficiente para tirar partido dele. Como um implante que nos impede de distinguir que parte do ciborgue voc\u00ea \u00e9.\u00a0\u00a0<\/p><p>O carnaval existe. Mas \u00e9 como se fossem farm\u00e1cias 24\/7. Est\u00e1 em funcionamento permanente para que nada caia fora e, se cair, que seja como se estivesse. E n\u00f3s continuamos. A quest\u00e3o \u00e9 porque \u00e9 que a m\u00e1scara parece mais divertida no carnaval do que no resto do ano. Talvez seja porque n\u00e3o desistimos do drama.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se abandonarmos o dramatismo, veremos que somos todos mais ou menos iguais, que somos mais iguais do que diferentes. Mesmo que algumas pessoas se exibam muito sem raz\u00e3o aparente. H\u00e1 aqueles que arrastam as pernas e aqueles que carregam horas extraordin\u00e1rias \u00e0s costas. 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