{"id":540673,"date":"2026-05-15T12:16:22","date_gmt":"2026-05-15T10:16:22","guid":{"rendered":"https:\/\/pisofranco.gal\/artigos\/2026\/05\/15\/o-uso-economicista-da-lena-540673\/"},"modified":"2026-05-15T12:23:52","modified_gmt":"2026-05-15T10:23:52","slug":"o-uso-economicista-da-lena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pisofranco.gal\/pt-pt\/artigos\/2026\/05\/15\/o-uso-economicista-da-lena-540673\/","title":{"rendered":"O uso econ\u00f3mico da lenha"},"content":{"rendered":"<p>Das ru\u00ednas do Imp\u00e9rio Romano surgiu uma Europa que n\u00e3o cessa de falar de uni\u00e3o enquanto se vai distanciando. Entre as pedras polidas desta cultura imitativa nasceu o fen\u00f3meno do turismo de massas, do qual nos esquecemos que \u00e9 \u00abde massas\u00bb porque acabou por se tornar uma conquista do proletariado. Entre as ru\u00ednas das caixas econ\u00f3micas, temos um banco que ganha dinheiro sem grande esfor\u00e7o, porque h\u00e1 v\u00e1rias Venezuelas e nem todas s\u00e3o iguais. Do epis\u00f3dio bastante s\u00f3rdido das caixas galegas ficou a ideia do bem-estar social, que, pelo pr\u00f3prio nome, \u00e9 algo que n\u00e3o deveria ser confiado a nenhum banco.<\/p><p>Do plano de bem-estar social, o que resta \u00e9 uma montanha de tinta que ningu\u00e9m se atreve a avaliar, por medo de que se revele outra verdade a meio, e os restos de uma ilus\u00e3o da qual agora sabemos que n\u00e3o era de confian\u00e7a. Nas ilus\u00f5es, claro, nunca se deve confiar; por isso \u00e9 que aos m\u00e1gicos se lhes chama ilusionistas. E os galegos t\u00eam fama de serem poupados e desconfiados. Embora tamb\u00e9m possa ser causa e efeito: poupamos porque desconfiamos. Talvez eu preferisse os caixas autom\u00e1ticos porque eram o que menos \u00abse assemelhava a um banco\u00bb, e as pessoas que l\u00e1 trabalhavam, al\u00e9m de serem bem pagas, cumprimentavam-nos como vizinhos. Mas algu\u00e9m disse que tudo estava a piorar, e n\u00f3s, galegos, cometemos o erro hist\u00f3rico de n\u00e3o sermos suficientemente cautelosos. E o dinheiro foi para a Venezuela, um lugar muito inst\u00e1vel, como a imprensa n\u00e3o se cansa de nos lembrar tr\u00eas ou quatro vezes por dia.<\/p><p>O dinheiro foi-se, e s\u00f3 restaram os escombros, e podemos continuar a cham\u00e1-los de marquises, embora j\u00e1 n\u00e3o ofere\u00e7am qualquer abrigo. Entre os escombros jaz o esp\u00edrito engenhoso que temos naturalmente na Galiza, tirando o m\u00e1ximo partido das migalhas que nos restam. Somos como os ind\u00edgenas da lenda: trocamos ouro por espelhos que atestam que somos honestos. E poupadores.&nbsp; Uma virtude imperfeita porque, em mat\u00e9ria banc\u00e1ria, a lenha \u00e9 muito mais \u00fatil quando se partilha do que quando se acumula.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Das ru\u00ednas do Imp\u00e9rio Romano surgiu uma Europa que n\u00e3o cessa de falar de uni\u00e3o enquanto se vai distanciando. Entre as pedras polidas desta cultura imitativa nasceu o fen\u00f3meno do turismo de massas, do qual nos esquecemos que \u00e9 \u00abde massas\u00bb porque acabou por se tornar uma conquista do proletariado. 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