{"id":79214,"date":"2021-03-09T18:26:57","date_gmt":"2021-03-09T17:26:57","guid":{"rendered":"https:\/\/pisofranco.gal\/2021\/03\/09\/a-critica-non-foi-o-peor-do-teatro-galego-79214\/"},"modified":"2021-05-23T14:38:59","modified_gmt":"2021-05-23T12:38:59","slug":"a-critica-non-foi-o-peor-do-teatro-galego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pisofranco.gal\/pt-pt\/artigos\/2021\/03\/09\/a-critica-non-foi-o-peor-do-teatro-galego-79214\/","title":{"rendered":"A cr\u00edtica n\u00e3o foi o pior do teatro galego"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;A cr\u00edtica n\u00e3o \u00e9 o pior do teatro galego&#8221;. A frase \u00e9 de um cr\u00edtico de teatro, pronunciada no final da d\u00e9cada de 2000 e, ao mesmo tempo que tem um car\u00e1ter preventivo, esconde uma falsidade despachada como ing\u00e9nua. Naquela \u00e9poca, como agora, \u00e9 necess\u00e1rio entender que se alguma coisa n\u00e3o \u00e9 o pior de outra, \u00e9 que os dois elementos s\u00e3o parte do mesmo todo. Mas n\u00e3o. A cr\u00edtica nunca fez parte do todo teatral. Nos \u00faltimos quarenta anos a cr\u00edtica foi muitas coisas, mas nunca esteve integrada como parte de um sistema c\u00e9nico demasiado centrado no imediato. A cr\u00edtica foi um suspeito do costume, uma queixa permanente, um argumento complementar para congressos, semanas, festivais, espet\u00e1culos e debates sobre as artes c\u00e9nicas. Foi muitas coisas, mas nunca acabou de fazer parte de um todo que precisava dela como altifalante, mas n\u00e3o como geradora de argumentos.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p><p>Nestes anos, temos falado demasiado sobre a cr\u00edtica. Entramos no paradoxo de que enquanto a cr\u00edtica tentava falar de teatro, o teatro queria falar de cr\u00edtica como algu\u00e9m que quer acertar contas pendentes com a fam\u00edlia. Falamos demasiado de cr\u00edtica porque \u00e9 bem sabido que uma vez que o teatro sai do palco, a primeira coisa com a que se preocupa s\u00e3o os espelhos. E ao olhar no espelho da cr\u00edtica, o palco entrou na espiral de reclamar uma cr\u00edtica, outra cr\u00edtica, sem aceitar a que existia. Uma cr\u00edtica com habilidades que o pr\u00f3prio teatro n\u00e3o possu\u00eda. Pediam, sem explicar, uma cr\u00edtica feita \u00e0 medida das companhias, dos espet\u00e1culos, das suas circunst\u00e2ncias, das suas limita\u00e7\u00f5es, que aceitasse um sistema m\u00e9trico popular: medir tudo com a suposta desculpa de que na Galiza tudo \u00e9 mais dif\u00edcil, passar tudo por um filtro resumido numa frase ouvida noutro debate do Di\u00e1rio Cultural h\u00e1 muitos anos: &#8220;para ser galego, est\u00e1 bastante bem&#8221;. N\u00e3o foi citado por algu\u00e9m desprevenido. Era algu\u00e9m com interlocu\u00e7\u00e3o, conhecimento e eu diria at\u00e9 com um certo mando na pra\u00e7a. Todos queriam uma ou outra atitude da cr\u00edtica. Uns queriam mais dureza com as companhias grandes para que n\u00e3o se perdessem, outros queriam mais cr\u00edtica \u00e0s companhias novas para que n\u00e3o se extraviassem. Houve quem quisesse que se falasse mais dos int\u00e9rpretes, e havia quem propunha um sistema num\u00e9rico que, finalmente, resumisse a cr\u00edtica de 1 a 5, sendo cinco a mais alta. Todos queriam uma coisa ou outra, mas quase ningu\u00e9m queria o que j\u00e1 existia. A outra coincid\u00eancia foi que &#8220;a profiss\u00e3o&#8221; queria cr\u00edticas que fossem formalmente boas e, sobretudo, que se entendessem bem: o texto bom, o elenco bom, os cen\u00e1rios bons, o espet\u00e1culo bom. Se a tarefa da cr\u00edtica \u00e9 n\u00e3o deixar ningu\u00e9m contente, a cr\u00edtica c\u00e9nica galega cumpriu. Quase toda.&nbsp;&nbsp;<\/p><p>Talvez tudo isto tenha acontecido assim porque a rela\u00e7\u00e3o entre teatro e cr\u00edtica nunca deixou de ser biol\u00f3gica e o teatro galego, t\u00e3o necessitado de normaliza\u00e7\u00e3o, tentou formular estrategicamente uma cr\u00edtica sat\u00e9lite, formulada da forma mais convencional poss\u00edvel e que, em certo sentido, foi uma muleta para superar alguns problemas que o pr\u00f3prio &#8220;setor&#8221; n\u00e3o foi capaz de resolver com facilidade. N\u00e3o se pode dizer que o teatro galego mantenha uma rela\u00e7\u00e3o regular com o p\u00fablico. N\u00e3o como um todo. \u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o insegura, baseada no desconhecimento m\u00fatuo. E, a menos que oMeetico arranje, com uma certa relut\u00e2ncia a conhecer-se.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p><p>Na recapitula\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, o teatro galego priorizou a organiza\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o antes de qualquer outra coisa. Organizar significa dar-lhe estabilidade, reconhecimento e, como em qualquer outra profiss\u00e3o, sal\u00e1rios. O p\u00fablico n\u00e3o veio primeiro, veio primeiro a profiss\u00e3o. Havia raz\u00f5es para agir desta maneira. Tenho a certeza de que eles tinham a certeza de que ao terem uma profiss\u00e3o os espectadores iriam aparecer. Quanto mais anos passam, mais se demonstra que n\u00e3o funcionou. N\u00e3o para o conjunto.&nbsp; Na hist\u00f3ria do teatro galego, h\u00e1 um certo desconforto com o p\u00fablico. Como se no fundo, mas n\u00e3o muito no fundo, este fosse um assunto de outro departamento. Um desconforto enraizado na ideia de que fazer teatro \u00e9 suficiente. Que todo o trabalho que uma pe\u00e7a de teatro requer n\u00e3o pode tamb\u00e9m assumir uma rela\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico e com as suas aleat\u00f3rias e por vezes simples, prefer\u00eancias. Uma atitude que, de vez em quando, queria ser resumida numa frase sectorial: &#8220;n\u00f3s fazemos teatro, o resto n\u00e3o \u00e9 da nossa conta&#8221;. Como se o p\u00fablico n\u00e3o fosse realmente um assunto teatral. Poderia ter sido escapismo, impossibilidade, acomoda\u00e7\u00e3o e nalgum caso, soberba art\u00edstica desenfreada. Em conjunto, foi um fracasso manipular a ideia de que o p\u00fablico nada tem a dizer e que a sua passividade na plateia responde a uma atitude culturalmente passiva.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p><p>&nbsp;Num sentido n\u00e3o muito metaf\u00f3rico, a rela\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico foi subcontratada pelo teatro galego. Mandaram-na a outras institui\u00e7\u00f5es,&nbsp;<em>consellerias<\/em>, ag\u00eancias, institutos e tamb\u00e9m, como era apropriado, aos meios de comunica\u00e7\u00e3o social. Mandaram-na ao dever c\u00edvico da cidadania e tamb\u00e9m aos cr\u00edticos, como uma autoridade aparente que deveria prescrever a presen\u00e7a no teatro, no sentido mais positivo poss\u00edvel. Uma autoridade que os cidad\u00e3os deveriam reconhecer, mas que, na verdade, o pr\u00f3prio setor das artes do espet\u00e1culo n\u00e3o queria entender como tal.&nbsp;&nbsp;<\/p><p>Num sentido muito amplo, pode entender-se que a rela\u00e7\u00e3o irregular do sector do espet\u00e1culo galego com os espectadores foi tamb\u00e9m a rela\u00e7\u00e3o irregular do sector com a cr\u00edtica. Com a singularidade de que \u00e9 muito mais f\u00e1cil dar-se mal com poucos do que com um coletivo ao que deverias seduzir a que pague para te ver. O paralelismo revela um dos mal-entendidos gerais sobre o que \u00e9 a cr\u00edtica e onde se enquadra. Para uma parte consider\u00e1vel do sector do palco, a cr\u00edtica \u00e9 um ap\u00eandice que &#8220;deve&#8221; estar a\u00ed. Deve &#8220;compreender&#8221; as pr\u00f3prias estrat\u00e9gias do sector e orientar-se para elas. Mas a cr\u00edtica n\u00e3o faz parte do teatro. A cr\u00edtica faz parte do p\u00fablico. Se tem que entender de alguma coisa, \u00e9 da rece\u00e7\u00e3o, n\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o. Faz parte do coletivo de espectadores e talvez seja por isso que a cr\u00edtica se faz nos meios de comunica\u00e7\u00e3o e n\u00e3o nos palcos. \u00c9 um erro que \u00e0s vezes \u00e9 muito interessado e outras muito irritante.&nbsp;&nbsp;<\/p><p>Situados no meio do erro e envolvidos pelas estrat\u00e9gias das necessidades do setor, a cr\u00edtica tinha que ser a solu\u00e7\u00e3o para um defeito. Tinha que ser parte de uma solu\u00e7\u00e3o que em algumas mesas redondas apareceu sob a palavra cumplicidade, o que em hip\u00f3tese reduzia a dist\u00e2ncia que se abria entre o p\u00fablico e as ofertas das companhias. N\u00e3o havia nenhuma pergunta pr\u00e9via, n\u00e3o havia nenhum apontamento sobre se esse era o teatro que correspondia a essa \u00e9poca, se entregar a cena galego ao teatro isabelino fazia sentido, se as alian\u00e7as com as companhias portuguesas eram apropriadas, se o teatro galego estava a acertar no seu repert\u00f3rio. N\u00e3o havia d\u00favidas, mas havia uma opini\u00e3o: a cr\u00edtica deveria fazer parte da solu\u00e7\u00e3o. Mas em nenhum caso fazer parte do diagn\u00f3stico.&nbsp;&nbsp;<\/p><p>A cr\u00edtica foi entendida como uma atividade subalterna ao teatro ou a qualquer atividade sobre a que fale. Existe uma rela\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica, segundo aqueles que assumem a qualifica\u00e7\u00e3o de criador para si pr\u00f3prios, na qual em mais de um sentido a cr\u00edtica deve assumir os objetivos estrat\u00e9gicos e por vezes tamb\u00e9m os objetivos t\u00e1ticos desse g\u00e9nero ao qual, de qualquer modo, n\u00e3o pertence. O &#8220;setor&#8221; considerou que a cr\u00edtica era uma atividade que dependia da sua exist\u00eancia e que tinha de compreender esta rela\u00e7\u00e3o subordinada. Num sentido algo prosaico, a miss\u00e3o da cr\u00edtica era acompanhar o caminho do teatro para bem. Num sentido um pouco mais sarc\u00e1stico, a cr\u00edtica teve que se dedicar \u00e0 cultura dos cuidados.&nbsp;&nbsp;<\/p><p>\u00c9 verdade que nos anos noventa e dois mil a cr\u00edtica teatral na Galiza manteve uma atitude muito diferente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cr\u00edtica de qualquer g\u00e9nero e \u00e0 cr\u00edtica liter\u00e1ria em particular. Roberto Vidal&nbsp;Bola\u00f1oexplicou num debate sobre a cr\u00edtica no Di\u00e1rio Cultural, que ent\u00e3o existia, que poderia ser &#8220;injusto para o teatro que enquanto qualquer livro recebia cr\u00edticas laudat\u00f3rias ou pelo menos am\u00e1veis, no teatro a cr\u00edtica era muito mais inc\u00f3moda&#8221;. Parecia que na literatura galega n\u00e3o houvesse livros maus, mas sim maus espet\u00e1culos&#8221;.&nbsp;Bola\u00f1osabia, tamb\u00e9m, que essa culpa n\u00e3o era da cr\u00edtica teatral.&nbsp;<\/p><p><strong>Apontoar e n\u00e3o apontar&nbsp;<\/strong>&nbsp;<\/p><p>No per\u00edodo que durou a cultura auton\u00f3mica, digamos que entre 1984 e 2014 para escolher n\u00fameros redondos, a cr\u00edtica de espet\u00e1culos foi um exerc\u00edcio volunt\u00e1rio. Isto significava que ou bem era realizada por profissionais dos meios de comunica\u00e7\u00e3o que usavam seu tempo ou tempo extra para cumprir as suas obriga\u00e7\u00f5es&nbsp;auto-impostasna cr\u00edtica, ou bem por pessoas que vinham da periferia do mundo do palco e que, como melhor op\u00e7\u00e3o, podiam considerar a publica\u00e7\u00e3o de resenhas como outro meio de fazer curriculum. Entre estes dois pontos, houve poucas exce\u00e7\u00f5es. N\u00e3o como sistema. Nestas tr\u00eas d\u00e9cadas, que podem ser quatro se alongarmos um pouco as datas, n\u00e3o houve grandes mudan\u00e7as na cr\u00edtica galega porque era escassa, embora persistente, e n\u00e3o tinha muitas facilidades operativas. Para publicar uma cr\u00edtica era necess\u00e1rio insistir junto dos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Os meios nunca as reclamam. Este era mais ou menos o sistema. N\u00e3o houve muitas incorpora\u00e7\u00f5es porque, como dizia um diretor e ator galego, nenhuma crian\u00e7a acorda uma manh\u00e3 e diz a seus pais: Quero ser cr\u00edtico de teatro.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p><p>Todas estas dificuldades e algumas outras mais pr\u00f3ximas do balc\u00e3o do bar t\u00eam qualquer coisa de folcl\u00f3rico. Mas comp\u00f5em uma paisagem na qual a cr\u00edtica se move de passagem com uma certa incomodidade. A incomodidade de que, finalmente, a cr\u00edtica n\u00e3o podia ser considerada como um g\u00e9nero e que, portanto, pudesse estabelecer as suas pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es de funcionamento, pudesse amadurecer no sentido que melhor decidisse e tivesse como op\u00e7\u00e3o escolher os seus pr\u00f3prios significantes. Isto n\u00e3o foi totalmente compreendido no setor, apesar da profiss\u00e3o estar habituada a trabalhar com interpreta\u00e7\u00f5es, a trabalhar com a sem\u00e2ntica das palavras e com aquele arco tenso de saber que as coisas s\u00e3o feitas para serem interpretadas. Os espectadores pareciam entender isso melhor do que o setor do espet\u00e1culo.&nbsp;&nbsp;<\/p><p>No mundo teatral h\u00e1 uma admira\u00e7\u00e3o ing\u00e9nua pelas &#8220;boas cr\u00edticas&#8221; que geralmente s\u00e3o as que est\u00e3o pior escritas. H\u00e1 mais adeptos da simplicidade do que da singeleza. Como um editor de jornal costumava dizer: &#8220;sujeito, verbo e predicado&#8221;. Se a cr\u00edtica tenta reconhecer-se a si mesma como linguagem, a profiss\u00e3o n\u00e3o gosta, porque h\u00e1 um medo de que em vez de trazer os espectadores para o espet\u00e1culo, estes sejam enviados a uma biblioteca. Ou para o Twitter. A cr\u00edtica n\u00e3o pode ter o n\u00edvel dial\u00e9tico do teatro. H\u00e1 um desagrado quando a cr\u00edtica usa o mesmo aparelho liter\u00e1rio que usou o teatro para contar a pe\u00e7a. E isto tem que levantar suspeitas sobre como o teatro entende o trabalho da cr\u00edtica.&nbsp;<\/p><p><strong>Depend\u00eancias&nbsp;&nbsp;<\/strong>&nbsp;<\/p><p>Os espectadores tendem a compreender melhor a cr\u00edtica do que os profissionais, porque dependem muito menos dela. Depend\u00eancia \u00e9 um fio que altera todas as perce\u00e7\u00f5es. Em muitos aspetos, a cr\u00edtica nunca dependeu de como estava a situa\u00e7\u00e3o do teatro. Depende muito mais da situa\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, da situa\u00e7\u00e3o dos leitores, dos espectadores. Depende da situa\u00e7\u00e3o da sociedade na qual se enquadra num ponto muito residual. E muito prec\u00e1rio.&nbsp;&nbsp;<\/p><p>H\u00e1 muitas maneiras de entender a cr\u00edtica. Mas talvez o debate seja como \u00e9 que a cr\u00edtica se concebe a si mesma. A cr\u00edtica n\u00e3o acad\u00e9mica, quero dizer. Para esta seria necess\u00e1rio encontrar outro nome, para que os estudiosos n\u00e3o se levantem nas mesas redondas a reclamar. Num sentido muito geral, a cr\u00edtica, toda ela, incluindo a de teatro, \u00e9 uma continua\u00e7\u00e3o do jornalismo por outros meios. Desde o seu nascimento at\u00e9 agora, n\u00e3o alterou tanto o car\u00e1cter. \u00c9 preciso contar o que acontece e \u00e9 preciso contar como acontece e o significado que isto tem. Neste m\u00e9todo aparentemente simples h\u00e1 outro elemento que a cr\u00edtica liter\u00e1ria esqueceu e que nem mesmo a cr\u00edtica de arte ou musical tem: a ideia de que todo fato cultural deve estar relacionado com a sociedade na qual \u00e9 produzido e com o momento no qual acontece. A cr\u00edtica teatral parece manter melhor a refer\u00eancia de que o teatro, mais do que qualquer outra coisa, tem a inten\u00e7\u00e3o de explicar o que nos acontece e como nos acontece enquanto coletivo. A cr\u00edtica teatral n\u00e3o deveria perder esta refer\u00eancia: se o teatro n\u00e3o nos explica, para que serve o teatro? Se a cr\u00edtica n\u00e3o explica para que serve o teatro, para que serve a cr\u00edtica?&nbsp;&nbsp;<\/p><p>A cr\u00edtica \u00e9 uma continua\u00e7\u00e3o do jornalismo por outros meios. Mas h\u00e1 qualquer coisa no seu funcionamento que a converte numa ferramenta cultural que ainda est\u00e1 operacional: a cr\u00edtica \u00e9 para a cultura o que a cultura \u00e9 para a sociedade. A cultura \u00e9 a mem\u00f3ria da sociedade, a cr\u00edtica \u00e9 a mem\u00f3ria da cultura.&nbsp; Talvez eu n\u00e3o esteja aqui para resolver quest\u00f5es a preto e branco sobre se os espet\u00e1culos s\u00e3o bons ou maus. Nem para decidir se um int\u00e9rprete era mais ou menos en\u00e9rgico no seu papel. As pequenas ang\u00fastias profissionais n\u00e3o entram no trabalho da cr\u00edtica, assim como a incomodidade pr\u00f3pria de fazer cr\u00edtica deve ser assumida como parte do trabalho. \u00c9 um espa\u00e7o de conflito e \u00e9 necess\u00e1rio compreend\u00ea-lo desta forma. Tem que ser entendido como deveria ter sido entendido que o trabalho da cr\u00edtica \u00e9 conseguir a uma rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria com os p\u00fablicos.&nbsp;&nbsp;<\/p><p class=\"wp-block-verse\">Este texto foi publicado na edi\u00e7\u00e3o 100 da revista Erreguet\u00e9. Inverno 2020<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA cr\u00edtica non \u00e9 o peor do teatro galego\u201d. A frase \u00e9 dun cr\u00edtico de teatro, pronunciada contra finais da d\u00e9cada do 2000 e, ao tempo de ter un car\u00e1cter preventivo, encobre unha falsidade despachada como inxenua. Nesa altura, como agora, hai que entender que se algo non \u00e9 o peor de algo \u00e9 que os dous elementos forman parte dun mesmo conxunto. Pero non. A cr\u00edtica nunca formou parte do conxunto teatral. Nos \u00faltimos corenta anos a cr\u00edtica foi moitas cousas, pero nunca estivo integrada como parte dun sistema esc\u00e9nico demasiado centrado no inmediato. A cr\u00edtica foi unha sospeitosa habitual, unha reclamaci\u00f3n permanente, un argumento complementario para congresos, semanas, festivais, mostras e debates esc\u00e9nicos. Foi moitas cousas, pero nunca acabou de formar parte dun conxunto que a precisaba como altofalante pero non como unha xeradora de argumentario. <\/p>\n","protected":false},"author":51,"featured_media":41818,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[85],"tags":[269,270,271,272],"class_list":["post-79214","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-critica","tag-teatro-pt-pt","tag-critica-teatral-pt-pt","tag-teatro-galego-pt-pt","tag-critica-cultural-pt-pt"],"acf":[],"post_template":"narrativa","post_subscription":"no","pretitle":"","content_extract":"\"A cr\u00edtica n\u00e3o \u00e9 o pior do teatro galego\". 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