{"id":94151,"date":"2021-07-02T21:04:09","date_gmt":"2021-07-02T19:04:09","guid":{"rendered":"https:\/\/pisofranco.gal\/2021\/07\/02\/saber-nadar-94151\/"},"modified":"2021-07-02T21:18:42","modified_gmt":"2021-07-02T19:18:42","slug":"saber-nadar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pisofranco.gal\/pt-pt\/artigos\/2021\/07\/02\/saber-nadar-94151\/","title":{"rendered":"Saber nadar"},"content":{"rendered":"<p>Havia um graffiti em Ourense: O filho do peixe sabe nadar. Era mon\u00e1rquico porque explicava o funcionamento da monarquia e era antimon\u00e1rquico porque qualquer explica\u00e7\u00e3o do funcionamento da monarquia \u00e9 razoavelmente antimon\u00e1rquica. N\u00e3o devemos desprezar o que dizem paredes nem como\u00a0terminam\u00a0as imagens porque em ambos casos h\u00e1 um verso do futuro, um avan\u00e7o da justi\u00e7a po\u00e9tica, por mais in\u00fatil que seja a l\u00edrica nestes casos.\u00a0<br><br>A diferen\u00e7a entre os\u00a0Borb\u00f3n\u00a0e qualquer fam\u00edlia normal \u00e9 que a sua hist\u00f3ria est\u00e1 perfeitamente documentada. As pessoas comuns podem ignorar quem foi o seu bisav\u00f4 e fazer vida normal. Os\u00a0Borb\u00f3n\u00a0sabem quem era o seu bisav\u00f4 e n\u00f3s n\u00e3o o podemos ignorar. O paradoxo da monarquia em Espanha \u00e9 ser uma institui\u00e7\u00e3o justificada na mesma Hist\u00f3ria que n\u00e3o deixa de demonstrar que estatisticamente n\u00e3o existe um\u00a0Borb\u00f3n\u00a0bom.\u00a0E que n\u00e3o s\u00e3o conterr\u00e2neos nem de fiar. Vistos com o rigor que a monarquia exige para ser vista, nem sequer s\u00e3o\u00a0<em>espanh\u00f3is<\/em>. Qualquer livro de hist\u00f3ria explica que manter a monarquia espanhola requer mais f\u00e9 do que dados, mas esta \u00e9 uma \u00e9poca de dados.\u00a0\u00a0<br><br>O prov\u00e9rbio \u00e9 uma forma cultural que n\u00e3o requer muitas horas de leitura. \u00c9 uma cultura folcl\u00f3rica. Caminha pelas ruas com a agilidade da Covid explicando que o que come\u00e7a mal acaba mal e que a cabra pede monte. Tamb\u00e9m aponta que n\u00e3o h\u00e1 mal que por bem n\u00e3o venha, nem que dure mais de cem anos. Deveria haver um livro titulado\u00a0<em>O atraso pol\u00edtico da Espanha<\/em>\u00a0explicando que este pa\u00eds ainda est\u00e1 preso num debate do s\u00e9culo XIX, invocando a Hist\u00f3ria sem a ter lido. Haveria um ponto de encontro entre o saber folcl\u00f3rico e o conhecimento cient\u00edfico. O lugar onde as coisas est\u00e3o no seu s\u00edtio: o ch\u00e3o de tijoleira, ao p\u00e9 da casa de banho, numa escola abandonada. Um tempo antes da ru\u00edna. N\u00e3o \u00e9 ex\u00edlio. \u00c9 expuls\u00e3o. Em piores lugares ter\u00e1 estado.<\/p><p><br><br><\/p><p class=\"wp-block-verse\">Foto e texto foram publicada no n\u00ba da Revista Tempos <\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Havia um graffiti em Ourense: O filho do peixe sabe nadar. Era mon\u00e1rquico porque explicava o funcionamento da monarquia e era antimon\u00e1rquico porque qualquer explica\u00e7\u00e3o do funcionamento da monarquia \u00e9 razoavelmente antimon\u00e1rquica. 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