Que é que tu queres, cabrão?

Que o sol estivesse há duas horas a presidir o horizonte matinal não era por causa da sua alegria. Saltou da cama, vestiu os calções e foi a correr para a cozinha. Mamã, vou buscar o pão. Olhou para o relógio e acelerou o passo. Entrou na padaria à procura do balcão pequeno. Atrás dele, …

Eu tive uma quinta em S. Amaro

A melancolia pode matar. De facto, mata. Os factos não são conhecidos porque ninguém pensa que sejam relevantes ou dignos de mudança. A melancolia mata como mata a burrice ou a ignorância. Ou a saúde mal atendida. Mata como matam as contas mal feitas. Também não faz falta ser tão dramáticos… Mata como mata a vida, mas neste caso não lhe damos a importância que tem. Estamos em guerra contra a melancolia, mas não percebemos porque é que estamos a perder.

Mas rir

Que um homem fale pelas mulheres como se soubesse que dizer significa que é parvo ou presunçoso. Não se descarta as duas coisas no mesmo pacote. Por isso só vou falar da imagem. A fotografia de mulheres abrigadas pela cobertura metálica da Caixa Ourense circulou pelo mundo digital sem a assinatura do seu autor e …

Contra Oira

Seria muito mais fácil contra Oira. Caminhar ao longo da margem do rio, entre os fantasmas de velhos edifícios abandonados e os passos civilizados de pescadores quase furtivos. Seria mais leve caminhar a olhar para os remansos como a calma que chega depois de se tomar uma decisão. Por muito rio que reste, por muita …

Reconstrução da fantasia

Mudou a estória e pediu à Polegarzinha para ela subir. Sobe aqui. Levou-a de visita a uma floresta onde todos os faunos erguiam glórias com os seus instrumentos de vento. Sobe aqui e segura-te, disse-lhe, que as travessias são movimentadas. Foi levando-a por aquele país onde o sol parecia pequeno e as sombras eram moles, …

Leituras políticas da paródia e o capital

Até que ponto está um espetador confinado nos seus próprios preconceitos, ou nos dos outros? Porque é que aceitamos numas obras o que rejeitamos noutras, e porque é que gostar de um artista acaba por se parecer tanto a ser adepto de um clube de futebol? Vamos considerar, hipoteticamente, que Paolo Sorrentino é muito mais …

Uma história de Galicia

Em Muros já não existe o paraíso. Existe um supermercado. Pode parecer uma questão do mercado imobiliário, mas é uma mudança radical de época sem transição. É a história de um país que não quer fazer história. Chévere fez história com Eroski Paraíso, do teatro ao cinema. Uma história entre sanduíches de calamares e casais que engravidam no cemitério. Memória e humor que nem sempre dá para algumas gargalhadas.

Desmontando-se a si mesmos

Um dia as flores, as fantasias, os cabelos dos pajens, a meditação e a algazarra dos fãs chegaram ao fim. A fantasia das viagens e o mundo em tecnicolor chegou ao fim. Um dia, alguém percebeu que, além do amor, muitas outras coisas eram necessárias. Naquele dia os Beatles desceram do terraço onde coexistiam sargentos …

Acordes e desacordos

Alguém disse uma vez que na música popular existem duas categorias: The Beatles e o resto. Cinquenta e dois anos após a sua separação, havia poucas coisas novas para ver sobre a banda mais influente de todos os tempos, mas Get Back foi uma delas. A documentação de Peter Jackson sobre as horas ilimitadas de gravação do que foi chamado Let it Be prova, mais uma vez, que há sempre uma diferença entre o grupo e o resto. Mesmo no final. Voltar pode ter sido um final, mas não foi o declínio.

A mochila moral

Nós os europeus nunca abandonamos a Europa. Vem connosco, às costas, em forma de passaporte, vacinas, breviário linguístico, pomadas protetoras, meias de algodão, repelente de mosquitos, telefone da embaixada e de uma superioridade moral que nenhuma história universal, por mais objetiva que seja, pode justificar. Viajamos com a história na mochila e quase nunca conseguimos …

Pelo reto caminho

No Verão, a cidade suava pelas pedras. Entrei na mercearia e o senhor Afonso virou-se, com a sua bata axadrezada, para me repreender pelo atraso: Já te disse que tinhas que ir pelo caminho reto. Então mandou: Pega na garrafa de Marie Brizard e leva-a ao senhor Ricardo, da Caixa de Poupança, que hoje tem …

Reparto de poderes

Avançava pelo corredor, apercebendo-se de que a rotação da Terra não era rápida o bastante para ele. Faltava-lhe paciência para esperar os ciclos que põem dia e noite sobre as casas, e com lentíssimo desespero ruminava as desculpas de mau pagador. Avançava pelo corredor com as imagens claras: haverá sorrisos de cumplicidade e haverá sorrisos …

Quatro quilómetros para casa

Quando respondeu, estava a quatro quilómetros de casa. Estás a ouvir, andam a dizer por aí que vocês já não estão juntos. Faltavam quatro quilómetros para casa e ele levava duas mochilas para encher o frigorífico, porque havia queixas quanto à frequência com que ia às compras. Iam cheias, para compensar a viagem, daqueles alimentos …

Carta de Theo

Caro Vincent: Espero que estejas bem e que Ibiza tenha o clima que andavas à procura. Amesterdão está a ter um Verão calmo. Muitas, muitas pessoas e as mesmas dúvidas de sempre. Acho que devias pensar seriamente em passar algum tempo aqui. Agora é a altura certa. Há algumas casas discretas de Hoekenes, junto ao …

Estação de autocarros

Sair do avião e encontrar uma estação de autocarros. Devem ser quatro horas da manhã. Tudo parece tijoleira abandonada, quiosques soltos, corredores curtos com limpeza talvez quinzenal. Talvez não. Talvez seja o pó do deserto que se anuncia. Passar pela alfândega e a sua falta de preocupação. A curiosidade dos olhos dos viajantes que permanecem …

Podemos falar

Podemos falar de futebol, de ovelhas, de feiras em todas as aceções do termo, da confusão de palavras, da confusão de dor, do que o povo não mande, do trigo bom, do trigo mau, do pão de Cea, da marca que deixavam nos caminhos os carros de bois, do mau que é o governo, do …

Dramas e angústias

A África é uma daquelas partes do mundo que não é a Europa. A África gostaria de ser a Europa, mas não lhe deixam. Alguém decidiu há muitos anos que a África deveria ser como a Europa e mudou-lhe os costumes, a língua, semeou algumas ruas com um certo carácter ideal, espetou-lhe árvores e ditou-lhe …

Venderemos nos

Quando o pai vendeu a terra, não sentiu dor. Talvez alívio. Precisava mais de novidades do que daquela condena segura da lex rural. Estava cansado da paz sem horizonte, da sesta nos verões, das sombras dos jardins e dos bichos da horta. Estava cansado de tudo e tudo lhe parecia imposição. Quando o pai vendeu o terreno com …

Teoria do centro

O centro é uma coisa e os subúrbios são outra. Tanto na política como nas cidades. Tanto na filosofia como na rádio. Nós governamo-nos sob a ideia de que o importante está sempre no centro, colocado ali com exatidão hierárquica, com mando no praça, seguindo o exemplo de um urbanismo mentiroso, porque o centro do …

Saber nadar

Havia um graffiti em Ourense: O filho do peixe sabe nadar. Era monárquico porque explicava o funcionamento da monarquia e era antimonárquico porque qualquer explicação do funcionamento da monarquia é razoavelmente antimonárquica. Não devemos desprezar o que dizem paredes nem como terminam as imagens porque em ambos casos há um verso do futuro, um avanço da justiça …

Rock Duro

Do outro lado do canal que rodeia o Hard Rock Café estacionou a ambulância. Enquanto alguém padecia um aperto, o resto salivava com a possibilidade de onças de carne grelhada e fotografias de músicos imortalmente famosos e mortalmente compráveis. As ambulâncias em Amesterdão são amarelas (os submarinos mais famosos da história são fictícios). Em frente ao …

Frasco de nervos

Os televisores mediam meio metro de largura. Talvez fosse melhor dizer profundidade. Era por causa do tubo de raios catódicos: quanto maior o écran, maior tinha que ser o fundo. Olhar para a parte de trás do televisor era quase tão interessante como olhar de frente, exceto quando davam o Eliot Ness. O mais interessante das visitas do …

Desfile Nupcial

Tinha percorrido todo o supermercado em busca de uma oferenda. Vira na televisão como certas aves australianas chamavam pela outra parte do casal, construindo um ninho no qual de um lado da entrada colocavam flores frescas e do outro um monte de escaravelhos recém apanhados. Foi às prateleiras, verificando as etiquetas para ver se podia …

Sushi para dous

Há anos recebera a notícia da sua morte como quando uma relação termina: circunstâncias que mudam sem sentido. Portas que desaparecem dos corredores das casas de um dia para o outro. E todos os dias a bater contra a mesma divisória. A notícia tinha-lhe sido dada sem rodeios e pairou sobre ele durante muito tempo. Mesmo sem nenhuma razão.  A notícia …

A solidão do assassino

Sentiu o repetitivo manifestar-se da campainha e comdesagradomal disfarçado, levantou-se e dirigiu-se à porta. Ao entrar no corredor estreito, acendeu a luz e pensou que, no caminho de volta, deveria levantar as persianas para deixar entrar um pouco, o sol da tarde. A campainha voltou a tocar impacientemente. Contrariou-se ainda mais quando percebeu que pela …

Também leio a Kierkegaard

Estava a dormir quando a pressão na bexiga o acordou. Levantou-se incomodamente alterado pela necessidade. Pôs o piloto automático, disposto a navegar na escuridão do quarto. O sono levantava ainda ondas de nevoeiro no seu entendimento. Lá fora, os pássaros cantavam nos sicómoros . A bexiga mandou recado novamente; dois passos à frente. Deitou a mão ao …

Tanta Felicidade

Tanta felicidade deitava sobre a vida passada a mesma luz que deita sobre o mar o pôr-do-sol. Não havia queixa no silêncio deles, enquanto observavam o recuar da floresta a desde a sacada da casa. Quase não falavam nas horas serôdias da tarde; o necessário tinha sido dito. No crepúsculo não arejavam os problemas, calculando …

O que o amor tem a ver com as bicicletas

Não é verdade que os holandeses sejam um povo tranquilo. Talvez tenham calma até montarem numa bicicleta e o mundo mudar para eles. O ponto de vista muda. Andam mais alto que os peões, mais alto que os condutores. Muito mais alto do que aqueles que andam no banco de trás de um carro oficial. Os …

Café para toda a Humanidade

O lugar mais visitado do Rijksmjuseum é o bar. Está estrategicamente colocado ao lado do foyer e tem um sistema de mesa quente: está tudo ocupado entre as nove da manhã e as cinco da tarde. Um sistema de rotação muito elevado. Porém não é barato. Por outro lado, o bar do Museu Van Gogh, que também …

Será que as empresas de eletricidade sonham com ovelhas sintéticas?

Talvez as ovelhas não distingam a qualidade da sombra e andem a consumi-la onde haja, sem balar, sem entrar em disquisições, sem parar para pensar se essa sombra corresponde à sua classe social. Foi o cristianismo que trouxe as ovelhas para o imaginário comparativo da humanidade. Cordeiro de Deus e todas aquelas metáforas de qualidade …

Sistema de uma caída

A humanidade mete medo. Não o pânico produzido pelas armas nucleares ou revisar a casa de Anne Frank em detalhe – um sobrenome incrivelmente difundido em todo o mundo – para perceber que o seu conforto como refugiada interior respondeu a um sistema de barbárie. A humanidade mete medo quando percebemos que durante um tempo …

2 | De braços cruzados

Passar a vassoura em frente à cara não é muito delicado. Mas é o dia e a romaria. Molhas a vassoura na água com pós, colocas o cartaz no contraplacado que ainda tem os restos das eleições anteriores, pões a vassoura no meio do cartaz e passas para cima e para baixo. Aí ficas, colado …

Step inside

Para entrar no bosque é preciso aceitar três condições. As árvores são metódicas, resistem em pé, sem alinhar, ao melhor sol do dia. Agitam suavemente os rumores como os corredores depois de uma demissão. Há um monte sem adornos, alguns sinais de abandono, um caminho sem alternativas e uma cancela que civiliza o conjunto. É …

O romantismo é o que nos fode

Como somos uns intelectualoides invertemos o processo de compreensão e pensamos que primeiro é a mensagem e depois as coisas. E repensando deixamos que o que sentimos no estômago mude o discurso até que os interesses pessoais pareçam razões coletivas. O Twitter ajuda muito.  Como somos intelectualoides é desnecessário citar a Friedrich e, precisamente por causa do mesmo, é …

Discurso da moviola

Os tempos caem, o futebol permanece. Viu a bola preta chegar e assustou-se um pouco com a responsabilidade de estar na linha da frente. O tempo passa, mas o futebol permanece. Recorreu à memória, parando o relógio, e não recordou que nunca tinha gostado de futebol, nem sequer quando era criança. Tinha refletido algumas vezes …

Todo o que pica é peixe

Este homem com cana e peixe viveu toda a vida rodeado de um halo. Mas não era de santidade política. Para uns foi Fraga Iribarne, para outros foi Fraga e para muitos outros, Dom Manuel. Uma soma de uniformes diferentes que, na prática, só disfarçavam uma ambição pouco quotidiana e a capacidade de manobra para …

Previously on Tondela

Todas as caras que eu vejo remetem a uma anterior. Vivo em permanente déjà vu e cada rosto evidencia desmemória ou extravio. Vivo os passeios sem tranquilidade porque cada rosto que passo nas calçadas, em vez de gritar igualdade como seria lógico em tempos desequilibrados, grita: Não te lembras de mim? E não me lembro. …

1 | Ou começas a somar ou já estás a subtrair

Arrimou o carro por baixo do depósito de água das Cancelas. Acabava sempre por parar um tempo ali. Saiu do carro, o carro dele, e viu como Santiago desce em direção à catedral. Em todos os relatos há algumas nuvens e assim estava a cidade, um pouco iridescente aos seus olhos. Devido ao efeito dos movimentos do …

A culpa por tudo

Ou estamos velhos ou estão velhas as palavras de ordem. John Lennon faria 80 anos em 2020 e Yoko Ono tem a saúde delicada. Formaram o casal artístico do século XX mesmo além do outro grande casal do mesmo século: Lennon-McCartney.

A crítica não foi o pior do teatro galego

“A crítica non é o peor do teatro galego”. A frase é dun crítico de teatro, pronunciada contra finais da década do 2000 e, ao tempo de ter un carácter preventivo, encobre unha falsidade despachada como inxenua. Nesa altura, como agora, hai que entender que se algo non é o peor de algo é que os dous elementos forman parte dun mesmo conxunto. Pero non. A crítica nunca formou parte do conxunto teatral. Nos últimos corenta anos a crítica foi moitas cousas, pero nunca estivo integrada como parte dun sistema escénico demasiado centrado no inmediato. A crítica foi unha sospeitosa habitual, unha reclamación permanente, un argumento complementario para congresos, semanas, festivais, mostras e debates escénicos. Foi moitas cousas, pero nunca acabou de formar parte dun conxunto que a precisaba como altofalante pero non como unha xeradora de argumentario.

All you need is you

No preciso momento que acabou All you need is lovecomeçou a ressaca. Foi um movimento impercetível ainda que imparável. Como quando acaba a bebedeira. Como quando o São Paulo caiu do cavalo e lhe veio um ataque de lucidez. Durante 30 segundos ficou lúcido e tudo resplandecia. Depois levantou-se e carente de inteligência como estava tentou …

A vida continua

Talvez se odeiem. Talvez sintam uma pela outra isso que a imprensa de Madri chama ódios africanos, mas que, tendo em conta a estatística dos costumes, são bastante galegos. Pode ser uma indiferença ativa. Ou solidão. Cruzam-se porque uma vem e a outra vai. Uma vem do supermercado e a outra vai à missa. Dieta atlântica. Talvez tenham …

Sem pátria não há espetáculo

Ainda estou confuso com essa ideia escapista de que a infância é a pátria do homem. Como se fosse uma saudade primigénia, irrecuperável e, portanto, injusta. Como se a pátria fosse o passado e não a vontade.   Mas quando a pátria é exibida como um trailer de cinema, quer dizer que vai haver pancada. E …

Capela Sistina

Era uma feira e mesmo as pessoas de missa diária tentavam obviar a proibição de tirar fotografias. Punham-se meio de lado e, como quem não quer a coisa, tentavam meter no telemóvel um pouco da grandeza dessa história que o teto e as paredes pretendem contar. É uma história, e talvez até uma boa história. …

Hamlet Acusador

Tinha o amor doente de Parkinson. Tinha o coração ferido, de aurícula a ventrículo, pelas flechas da ofensiva fortuna, e cada vez que começava a declamar, um mundo de borboletas agitava-lhe o corpo e trazia-lhe de volta a recordação da cara a boiar entre os nenúfares. Subia às tábuas seguro de si mesmo, mas assim …

Norma & Ivo em Monmartre

– Subimos e descemos?– É ir por ir… Atravessaram as sombras das árvores e deixaram-se rodear pelos turistas de outubro. Um funicular é um elevador que respeita a lei da gravidade. Entraram, mas em vez de olharem para a paisagem, que começava a ser outonal, deixaram-se levar pelas coreografias dos selfies… – Antes tudo tinha …

O soldado no inverno

No inverno, não lutamos. Ficamos no abrigo dos barracões, enquanto fora a chuva impede qualquer avanço, qualquer defesa. Chove quatro meses por ano. Todos juntos. A chuva embebe a terra até formar um metro de combinação: intransitável, inutilizável, um material sem tabela periódica. Uma matéria a meio caminho entre sólido e líquido, como a melancolia. …

Com a morte nos tomates (cultura espanhola)

Há um dia de 1992 do qual já ninguém se lembra. É estranho que seja assim. Que ninguém se lembre, porque tem muito a ver com tudo. O dia existiu, embora não se saiba qual foi. Durante os três primeiros trimestres do ano estava ao que fosse. À romaria diária ou ao assalto de um …

Bruno Ganz (O céu sobre Amsterdão)

Há uma fila para tirar o pequeno pedaço de papel que dá a vez. A moderna ciência da sinalética confia mais na natureza intuitiva do design do que na tradução. É uma fila típica das cidades turísticas: europeus de todos os estilos de vida, adolescentes japoneses e famílias chinesas a ir a todos os lugares como se …

Semana Inglesa

Vamos comer! Vamos comer! A voz infantil a ecoar pelo pátio do prédio. Vamos comer! Vamos comer!  De longe parecia um convite. Um sábado de manhã, a voz escapava pelo cimento das ruas, e chegava aos transeuntes. Sábados de manhã, esse conceito de descanso que em breve há-de desaparecer. Aquele dia de compras, de vasculhar a cidade… O dia …